O problema da indução para a justificação das teorias científicas
Assis
Silva
A
maioria das nossas asserções do nosso dia é baseada em conclusões indutivas, a
todo o momento estamos argumentando indutivamente, por exemplo, de que “o sol
nascerá amanhã”. O grande problema da indução é que ela não nos dá uma certeza
na conclusão, nada nos garante que o sol nascerá amanhã. O objetivo desse
ensaio é mostrar, que a indução não é a melhor opção para justificar as teorias
cientificas, visto que suas conclusões não nos garantem a verdade e podem nos
levar "facilmente" a falsidade.
Após
a revolução cientifica levada bem a sério por cientistas como, por exemplo,
Galileu e Newton, Francis bacon e alguns filósofos de sua época sintetizaram a
atitude cientifica da época e foi bem aceita, no qual se quisermos estudar a
natureza devemos observá-la, ela mesma deve ser o nosso livro e não os textos
de Aristóteles ou até mesmo a Bíblia (Alan f. Chalmers). Olhando dessa
perspectiva esta concepção é bastante interessante. Bastante influenciados pelo
resultado de Galileu e Newton em suas experiências, parece plausível pensar a
experiência como fonte segura de conhecimento.
O
indutivista ingênuo defende que a ciência começa com a observação. Partindo de
uma concepção do senso comum, no qual “Conhecimento
científico é conhecimento provado. As teorias científicas são derivadas de maneira
rigorosa da obtenção dos dados da experiência, adquiridos por observação e
experimento. A ciência é baseada no que podemos ver ouvir, tocar, etc. Opiniões
ou preferências pessoais e suposições especulativas não têm lugar na ciência. A
ciência é objetiva. O conhecimento científico é conhecimento confiável porque é
conhecimento provado objetivamente”[1]. Mas será que podemos
partir somente das experiências para formular teorias universais? Esse é o
grande problema, porque não se pode descartar as experiências na formulação das
teorias, não podendo confiar só nelas.
Um
dos filósofos que de maneira genial discutiu o problema da indução sem soma de
dúvida foi David Hume na sua obra “O
Tratado da natureza humana”, nela ele chama à atenção para o problema da
indução, de que, por exemplo, se eu soltar um objeto dez vezes e ele cair nas
dez vezes, nada me garante que na décima primeira vez que soltar ele vai cair.
Um
ponto importante em relação ao indutivismo é que não se podem tirar conclusões
apressadas, ou seja, deve-se ter um grande número de observações e em várias
condições, mas o que seria um grande número de observações? Alan f. Chalmers
coloca essa questão da seguinte maneira:
Se um grande número de As foi
observado sob uma ampla
variedade de condições, e se todos esses As observados possuíam sem exceção a
propriedade B, então todos os As têm a propriedade B.
O
indutivista procura ter o máximo possível de experiências para tirar suas
conclusões, afinal, não é plausível generalizar em apenas uma observação, por
exemplo, que todos os patos são brancos quando na verdade se observou apenas um
pato branco. Porém esse ponto apresenta problemas, quantas vezes eu devo por a
mão no fogo para ter certeza que o fogo queima? Ou quantas vezes vou ter que me
jogar de um prédio de 15 andares para saber que vou me esborrachar no chão?
Outro exemplo é o do peru induvista apresentado por Bertrand Russell:
Esse peru descobrira que, em sua primeira manhã na fazenda de perus, ele
fora alimentado às 9 da manhã. Contudo, sendo um bom indutivista, ele não tirou
conclusões apressadas. Esperou até recolher um grande número de observações do
fato de que era alimentado às 9 da manhã, e fez essas observações sob uma ampla
variedade de circunstâncias, as quartas e quintas-feiras, em dias quentes e
dias frios, em dias chuvosos e dias secos. A cada dia acrescentava outra
proposição de observação à sua lista. Finalmente, sua consciência indutivista
ficou satisfeita e ele levou a cabo uma inferência indutiva para concluir. “Eu
sou alimentado sempre às 9 da manhã”. Mas, ai de mim, essa conclusão demonstrou
ser falsa, de modo inequívoco, quando, na véspera do Natal, ao invés de ser
alimentado, ele foi degolado. Uma inferência indutiva com premissas verdadeiras
levara a uma conclusão falsa.
Diante
dos exemplos apresentados e de outros que podemos imaginar, parece claro que a
indução tem sérios problemas, e que não é muito confiável tê-la como base
segura para justificar as teorias cientificas. A história do peru é fantástica,
elucida como a indução pode levar a erros, mesmo em uma ampla variedade de
observações e em várias circunstâncias. Portanto, se o conhecimento cientifico
é obtido de forma rigorosa dos dados da experiência, está mais que provado que
a indução não é a melhor opção a justificação das teorias cientificas.
Comentários
Postar um comentário