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Mostrando postagens de 2017

Resgata-me

Alguém tomou o microfone e balbuciou algo. Todos os presentes viraram-se a procura daquele que falara. O ginásio estava cheio de adolescentes, jovens e alguns adultos que prestavam auxílio para que o evento ocorresse bem. O nome do evento era “resgata-me” e duraria dois dias. A primeira palestra era sobre o tema: “amor de mãe”; e a maioria daqueles que lá estavam tinham problemas com esse tema, devido suas experiências particulares. Aquele que tomou o microfone, disse: “peço atenção a todos, pois começaremos os nossos trabalhos”; fez uma oração, quando terminou, gesticulou com as mãos e um homem de meia idade entrou. Ele estava vestido em um terno cinza, usava gravata preta, era moreno, barba feita, cabelo cortado bem baixinho. Estava visivelmente alterado, irritado (com raiva, no bem da verdade), dirigindo o olhar para alguns responsáveis pelo evento, perguntou: “mas o que é isso aqui mesmo?” — disse com um ar de desprezo — “eu, um advogado renomado, estava pensando que ia falar par...

Eufemismo

Um rapaz de inteligência limitada Faltou com a verdade com os pais Em estado de ebulição etílica Dirigia na Fernando Ferraz. Subiu na calçada levando mais um A frente beijou um outdor Dormiu no volante e em segundos Acordou em um lugar melhor. O beijado também partiu E em outro estado acordou As famílias que aqui ficaram Uniram-se ao que restou. Assis Silva

O bicho-papão

— Não vá mamãe, tenho medo do escuro! — Não tenha medo, meu amor, mamãe está aqui! — Mamãe? — Sim? — Como é o bicho-papão? — Bicho-papão... quem te contou sobre ele? — Na escola, meus coleguinhas me falaram que ele vem a noite para assustar as crianças que não querem dormir, que são malcriadas e se esconde debaixo da cama. Mamãe, o bicho-papão está debaixo da minha cama? —Hum! Deixa eu olhar... não, não está! — Que bom, né mamãe? — É sim. — Como é o bicho-papão, mamãe, a senhora já viu ele? — Venha aqui...deixa eu te contar a história do bicho-papão, quer ouvir? — Sim, mas ele é muito malvado? — Não, ele não é malvado. Na verdade é bom... — Bom! mas ele assusta as crianças... — Bem...há muito tempo atrás um menino fora abandonado na rua por seus pais. O sonho dele era ter um quarto para poder dormir e assim sair da rua suja e fria. Queria também um irmão para poder brincar ou ao menos um amiguinho. Este menino cresceu morando na rua, mas quando chegava a ...

Prosa poética

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http://editoraviseu.com.br/livro/prosa-poetica-1 SINOPSE: A poesia é a arte de brincar com as palavras, o cantar a si mesmo ou ainda, como dizia o poeta Gaúcho Mario Quintana é “um gole d’água bebido no escuro”, e como todas as artes tem sua peculiaridade na inconsistência, dizer o indizível.  As poesias que compõem esta antologia são mais que um brincar com as palavras: um desabafo, uma terapia, um emprestar de olhos do autor para que outros enxerguem por sua ótica. A poesia não se força, ela surge naturalmente e dialoga com o poeta seu nascimento, por isso o título: “prosa poética”. Sem forçar, mas como que algo que já estava escrito em algum lugar do universo e simplesmente foram transcritas para o papel. A arte é assim, vem de um lugar que não se sabe de onde, pousa no artista e ele transcreve, desenha, pinta. Todo ser tem seu espaço na poesia, vem à luz através dos olhos do poeta.  O mundo é um mar, a poesia uma caravela e o poeta um navegador. Conduzindo seus tripulant...

Escada do relacionamento

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Conforto

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A menina que guardava sentimentos

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A palavra dos mortos

A palavra dos mortos 1                                                                          Assis Silva A palavra dos mortos: Conferências de Criminologia Cautelar 2 , configura-se um dos principais trabalhos editoriais da vida do jurista argentino Eugenio Raúl Zaffaroni. Tal autor é formado em direito pela Universidade de Buenos Aires (1962) e Doutor em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Nacional do Litoral (1964). Ganhou diversos prêmios e condecorações, como Prêmio Estocolmo de Criminologia (2009), Ordem da Estrela da Solidariedade Italiana, Ordem de Mérito do governo alemão e Prêmio Silvia Sudano. É vice-presidente da Associação Internacional de Direito Penal e da Sociedade Internacional de Defesa Social. Membro do Painel de Juristas Eminentes da Comissão Internacional de Justiça ...

Catador

O poeta vive de catar coisas Cata as palavras que voam E as fazem pousar no poema. Cata os sentimentos que perambulam E organiza-os em versos. Cata os pensamentos avulsos E empilha-os em estrofes. Catando tudo, tudo cabe no poema: O sono e o riso da criança, o aconchego da mãe, O cheiro da donzela, a folha seca que cai da árvore sobre meu papel, Esse momento sem presa.

A FUGA DE JALI

                                                              Assis Silva                                                                                           — Peguem ele...! Peguem esse criminoso! Com esses insultos, Jali, como era conhecido José, se embrenhara na mata desesperado. Todos os moradores da pequena vila de Taperebá tinham certeza do ato criminoso que ele acabara de cometer. A mãe da pequena Aninha o encontrara em flagrante, pois foi logo em seguida do ocorrido crime. — Vamos pegar e matar esse criminoso, dona Esmeralda! — Diziam enfurecidos os machões justiceiros da pequena vila. Era por ...

O lógico

Na primeira aula de lógica do curso de filosofia, os alunos estavam ansiosos para descobrir os meios cabíveis para provar teorias as pessoas através de argumentos poderosos. Então, o professor começa a aula dando um exemplo de argumento válido, dirigindo-se a um aluno que estava sentado na primeira fila, pergunta: — Você tem aquário em casa? — Sim, tenho! — responde o aluno. — Pois — continua o professor — provarei que você é heterossexual. Atentos, os alunos, olham fixamente para o professor. E este continua: — Se você tem aquário em casa, é porque você gosta de peixe; e se você gosta de peixe, gostas de sereia; e se gostas de sereia, gostas de mulher, pois sereia é metade peixe e metade mulher. Portanto, você é heterossexual. — Ó! — reagem os alunos. Terminada a aula, o aluno que foi indagado na sala, combina com alguns amigos de se encontrarem em uma choperia. Ao chegar na choperia, eis que seus amigos já estavam lá. Foi chegando e logo dirigindo-se a um amigo pergu...

POETA SEM ESPANTO

As palavras fugiram de mim Sou um poeta sem mais espanto, Um poema sem versos, Versos sem mais encanto. A sensibilidade petrificou-se em meu ser Sou uma estrofe sem rima, Uma prosa sem fundamento, Comediante que não mais anima, Sou um sonhador sem sonho, Poeta sem poesia, Criança sem colo de mãe, Sorriso sem alegria. É triste o espanto não se fazer mais presente no dia a dia da vida do poeta. É como um aborto de um filho tão sonhado Ou a tranquilidade roubada de uma cidade pacata.                                                Assis Silva

Clovis e seu pavio curto

Tem gente que é um perigo no volante, essa é uma frase comum no meio de quem tem Carteira de motorista. Clovis era um desses perigos, não que ele dirigisse mal, e sim devido ao seu pavio curto. Chegou bravo em casa batendo as portas com violência. Era início da noite, antes do jantar. Seu irmão José vendo o destempero de seu irmão o indaga. - boa noite  Clovis, está tudo bem com você? - é um droga mesmo, tu acreditas que fui multado, quase fui detido e ainda levei pontos na carteira. -mas o que aconteceu? - Pergunta admirado. - me multaram por estacionar em lugar proibido e dirigir com apenas uma mão. -como assim? - estranha José. -foi no aeroporto, estacionei só por uns minutinhos, veio o guarda e me multou, fiquei bravo, mas não disse nada. - e por que a multa por dirigir com uma mão só, onde estava a outra? - saí dando pitoco para o guarda.                                       ...

Carlisto e Ulisses

Carlisto e Ulisses eram amigos, daqueles que a vida nos apresenta e aceitamos com muito amor. Moravam em uma fazenda que acolhia crianças em situação de vulnerabilidade social. Mantida por uma instituição de caridade, a fazenda vivia de doações por parte de pessoas caridosas. Os colaboradores que lá trabalhavam procuravam dar o melhor de si aos meninos e meninas que lá moravam. Haviam pessoas que apadrinhavam algumas crianças, afim de nos fins de semanas e feriados levá-las para passear, ajudar em algo a mais que as mesmas precisavam. Quando Ulisses chegou na fazenda, há dois anos atrás, Carlisto já morava na mesma. E foi amizade à primeira vista, pode-se dizer assim. Os dias passavam sempre numa monotonia, iam para a escola pela manhã e à tarde, aqueles que podiam, ajudavam na fazenda. As crianças usavam roupas que vinham de doações, as vezes vinham umas roupas boas, as vezes vinham umas bem velhas, até pareciam que as pessoas por não ter onde jogar as roupas, usavam a fazenda como...

O vendedor e Dona Maria

Era verão, no calor escaldante da região norte do Brasil, mas precisamente no Pará, bem no interior, na vila de Igarapé grande, município de Capitão poço. Dona Maria era uma senhora aposentada, mulher de fibra e trabalhadora, mais forte que muitos homens. Seus cabelos grisalhos brilhavam no sol imponente. Igarapé Grande é umas dessas vilas típicas do interior do Norte, ruas de chão batido, casas de barro, algumas cobertas com cavaco (pedaços de tabuas usado no lugar de telhas ou até palhas para cobrir as casas). A vila interiorana é banhada por vários igarapés de águas geladas e límpidas. Costumava-se nas poucas vendas que existiam, uma ou duas no máximo, se comprar fiado, era o meio que o os moradores tinham para comprar coisas que faltavam em casa, o único crédito que tinham era a palavra de que pagariam. Acarretava-se as vezes da demora no pagamento por parte de muitos, o que quase sempre levava a falência do comerciante. O Senhor Roberval consciente desse mau hábito de seus comu...

O LIVRO QUE SACIOU A FOME

Assis Silva No meu oficio como escritor dizer que um livro mata a fome, parece até ser razoável, pois não é falácia, é minha realidade. Porém a frase soa canhestramente fora de contexto. E foi de fato o que aconteceu. E contarei a história dessa frase: o livro que saciou a fome. Foi a obra os miseráveis do escritor francês Victor Hugo. Um dos meus livros favoritos. Estava sentado na praça da Alfândega em Porto Alegre, envolvido na história de Jean Valjean, personagem da história. Quando percebo um vulto, porém dentro de poucos segundos toma forma de uma criança. Parei a leitura emocionado, era justamente na hora em que a menina Cosette fora obrigada a buscar água na noite escura para os Thénardier. Quando tiro os olhos do livro, deparo-me com uma criança de mãos estendidas para mim, olhando-me nos olhos. Aquele olhar profundo, triste, faminto. Meti a mão no bolso...

Farmácia: Saúde Pública, toxicologia de alimentos e vigilância sanitária

                                                                              Assis Silva O papel do farmacêutico na sociedade é de extrema relevância para o “andamento” da saúde pública. É importante deixar claro que saúde pública não é a mesma coisa que saúde coletiva. Saúde pública, toxicologia e vigilância sanitária são três temas que se entrelaçam. Segundo o preâmbulo do código de ética farmacêutica o “farmacêutico é um profissional da saúde, cumprindo-lhe executar todas as atividades inerentes ao âmbito profissional farmacêutico, de modo a contribuir para a salvaguarda da saúde e, ainda, todas as ações de educação dirigidas à coletividade na promoção da saúde” . Neste pequeno trecho encontram-se já os três temas entrelaçados, quando se refere à salvaguarda da saúde. Os farmacêuticos pre...